Religião com Espiritualidade

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espiritualidade

Há milênios a religião tem sido motivo de separação, de preconceito, de ódio, de guerras, de intolerância, de medo, enfim, de sentimentos contrários àqueles que deveriam nutrir os corações que se entregam a uma doutrina que visa a ligação com o Criador; chegando-se mesmo a praticar barbaridades contra o semelhante em nome dele.

E por que esse disparate, essa contradição? Por que a humanidade tem tanta dificuldade em assimilar os conceitos de amor, de bondade, de fraternidade que fazem parte da essência das religiões?

Em todos os povos de todos os tempos verifica-se a valorização das práticas exteriores de demonstração da religiosidade e o menosprezo por aqueles que têm práticas ritualísticas diferentes. A forma tem muito mais força no coração e na mente dos homens do que o fundo, do que a essência. Isso sem falar dos dogmas, que já foram motivo de crimes e de torturas na história da humanidade e que devem ser aceitos sem discussão, sem análise, deformando as mentes das criaturas, a ponto de se ver naquele que os discute um inimigo que deve ser destruído.

Desde os tempos mais remotos, a religião tem sido usada como pretexto para o domínio, para o controle dos povos, insuflando-lhes, através do medo, a idéia de que somente a sua forma de adorar a Deus é a correta, é a salvadora, sendo que as demais levam à perdição. Foram induzidos até a temer o contato com pessoas que comungam idéias diferentes.

Infelizmente, até os dias de hoje, em pleno século vinte e um, essa idéia castradora ainda vigora em muitas correntes religiosas, nutrindo o preconceito entre os seus adeptos.

Enquanto se ficar discutindo os conceitos dogmáticos e ritos particulares de cada religião, achando cada uma estar com a verdade absoluta, e as demais estão baseadas na mentira ou que são conduzidas pelo demônio, a intolerância e o preconceito continuarão separando as criaturas que fazem parte da mesma humanidade, que são todas filhas do mesmo Pai e foram criadas por ele com o mesmo amor e com a mesma finalidade.

Os adeptos das religiões cristãs, que têm por base os ensinamentos de Jesus, e deixam de prestar auxílio aos necessitados por pertencerem estes a correntes religiosas diferentes da sua, não compreenderam a essência da sua religião, que é o amor a Deus e ao próximo, ensinado e praticado por Jesus, que não fez distinção alguma entre as criaturas que o procuravam. A todos distribuía seu amor, independentemente de raça, de credo religioso, de condição social e moral.

Quando os Homens deixarem de discutir e de pôr em evidência as particularidades das religiões e se voltarem para os ensinamentos morais de cada uma, como a solidariedade, o amor, o perdão, a tolerância, a caridade, fazendo com que esses conceitos tenham mais força em seus corações e mentes do que os rituais e os dogmas, estarão de fato desenvolvendo uma espiritualidade maior; estarão elevando seu pensamento e seu sentimento a um patamar superior às convenções humanas.

O objetivo de Jesus, que não pertencia e nem criou nenhuma religião é que os Homens se vissem e se amassem como irmãos, apesar de suas diferenças.

A função da religião seria, então, mostrar ao Homem o caminho da espiritualidade. Quando isso for entendido não se fará dela motivo de ódios, preconceito e separação, mas sim de união, fraternidade e amor.

Precisamos separar, nas religiões, aquilo que é de inspiração superior, que são os ensinamentos que elevam a alma, daquilo que é criação dos Homens; aquilo que enaltece os pensamentos e sentimentos, daquilo que deforma a mente dos crentes; aquilo que nos leva a nos vermos como irmãos, daquilo que nos leva a nos vermos como inimigos.

O fanatismo sempre foi e ainda é uma arma letal contra a fraternidade e a união entre as criaturas. Somente a fé aliada à razão, como nos ensina o Espiritismo, poderá, de fato, promover a verdadeira fraternidade, pois aprenderemos a ver e respeitar em cada semelhante que pensa diferente de nós, um Espírito em evolução, escolhendo seus próprios caminhos, como nós escolhemos os nossos.

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