
Ele não buscou explicações para as palavras estranhas. Tinha uma grande missão a cumprir e estava seguro do sucesso – isso era tudo.
Falantos chefiou uma expedição colonizadora, com muitos barcos e guerreiros. A viagem foi longa e levou os espartanos ao Sul da Itália. Muitas lutas, batalhas, vitórias, mas Falantos não conseguia dominar uma cidade, nem manter a posse de um território.
Ele pensava nas palavras do Oráculo e elas lhe pareciam enganosas. Como um céu claro e sereno poderia trazer chuva?
Cansado de lutar e longe da pátria, Falantos foi buscar repouso ao lado da sua mulher Etra, que o havia acompanhado na expedição.
Etra aconchegou a cabeça de Falantos em seu colo, buscando reconfortá-lo da tristeza que o invadia. Mas, ao pensar que a situação dos gregos não melhorava e que, toda a ternura que sentia pelo marido não seria suficiente para amenizar a angústia de Falantos, os olhos claros de Etra inundaram-se de lágrimas que, pouco a pouco, caíram nos cabelos dele.
Ao sentir aquele pranto silencioso, o guerreiro sobressaltou-se. A profecia! Só agora podia compreendê-la! Chovia em sua cabeça – a chuva de um céu sereno, pois este era o significado do nome Etra.
Tomado de novo vigor, naquela mesma noite Falantos atacou Tarento, a cidade mais próspera da costa. Foi fácil vencer a batalha e, quando o sol começava a surgir, os gregos tinham nas mãos sua primeira conquista.
Segundo Pausânias, geógrafo e historiador grego do segundo século da nossa Era, a cidade foi fundada por Taras, mas foi conquistada pelos lacedemônios ou espartanos, liderados por Falantos.
Após a morte de Falantos, os tarentinos renderam-lhe honras divinas.
Tarento para os gregos, Taranto para os italianos, uma próspera cidade da região de Puglia, no Sul da Itália.