
“Em torno de nossos passos, vemos muitos tipos de sofrimentos, e a vida, em razão disso, se nos afigura, em grande parte, consistir num eterno esforço de evitá-los.
A sabedoria da vida, à vista disso, aconselha-nos a fracionar o campo imenso da existência em dois hemisférios diferentes, a fim de adquirirmos as condições reais para a solução dos problemas que nos acossam na estrada comum.
Existe, por exemplo, larga faixa de angústias e aflições, nascidas da doentia preocupação em relação a ‘o que’ os outros estão pensando de nós.
Alguém já disse, e com um bocado de razão, que “viver em função da aprovação alheia não é viver, é representar”.
Resulta do modo como fomos educados, buscar do lado de fora – ante os valores que nos foram passados – aquilo que temos de desenvolver no lado de dentro. É porque vivemos a cata de
coisas que simbolizam valores impossíveis de se adquirir comprando, pois, para tê-los efetivamente, o caminho de aquisição é outro. Antes de tudo será preciso “Ser”. E “Ser” depende de nós.
Na banda de cá (na ala do que depende de nós) mora tudo o que não é coisa. A tranquilidade da paz, a ventura da felicidade, a alegria de viver.
Por isso, não importa o que os outros pensem de nós, justamente porque essas coisas moram na banda de lá – e definitivamente nada têm a ver conosco. Se estivermos concentrados nessa simples verdade, a saber, que as coisas que realmente importam não são as coisas, mas possibilidades que trazemos dentro de nós, a espera de nossa decisão e esforço para virem a ser, estaremos sempre bem, distantes da ilusão de controle sobre aquilo que jamais conseguiremos controlar, e então, somente então, entraremos na paz.”